Durante a semana, fiz uma entrevista com o técnico do Corinthians Adilson Batista que foi exibida nesta 6ª, no Jogo Aberto. A idéia era traçar um perfil da figura, e por isso conversei com algumas pessoas que conviveram com ele para colher histórias curiosas e detalhes sobre sua vida.

O Adilson que conversou com a gente nada lembrava aquele carrancudo treinador tão criticado por parte da torcida do Cruzeiro e pequena parte da imprensa mineira. Nem vi sombra daquele Adilson que saía distribuindo patadas e chegou até a ser comparado com Muricy Ramalho no quesito.

Adilson é filho de pai corintiano, daqueles que, eufórico, carregou a criança pra todos os cantos no título de 77; é tão religioso que uma das primeiras coisas que faz quando viaja com seus times é perguntar na recepção do hotel onde é a igreja mais próxima, porque não pode perder a missa de domingo; não gosta do rótulo de técnico boleiro, mesmo participando de algumas atividades com bola com os seus jogadores; e nem se considera explosivo, apesar de ter se notabilizado pelo carrinho que deu na placa publicitária em uma partida entre Cruzeiro x Santo André (“Não vou fazer de novo. A não ser que a torcida, ou vocês jornalistas, peçam!”).

Desconfiado, já abriu as conversas com “o que você vai perguntar, menina?” “Um monte de coisas, Adilson. Não se preocupa”. Queixou-se da má alimentação, disse que precisa emagrecer para melhorar o colesterol. “É só dar uma corridinha na esteira, Adilson”. “Ah, eu prefiro o campo. Mas o joelho reclama”. No carrinho na placa, aliás, ele quase que arrebenta o joelho de novo.

Meio maluco? Jeitinho mineiro (apesar de não ser), acanhado no começo, Adilson já estava solto no final. É bom papo, boa gente, e bom treinador. Sucesso pra ele.